Nossa Música

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Tenha paciência, por favor!

Imagem retidada do site http://umdiacomtdah.blogspot.com.br/2010/08/discutindo-o-tdah-na-escola.html

Hoje escrevi este texto pensando no que uma filha com TDA gostaria de falar para sua mãe!


Mãe, eu tenho um jeito meio diferente de ser e sei que é difícil para as pessoas compreenderem! Sei que é difícil para você entender!
Eu queria te pedir que tivesse paciência comigo!
Sabe, quando eu pego as coisas e depois não sei onde as coloquei, eu não faço por mal! Eu esqueço, mesmo!
Evite entregar pequenas coisas para eu guardar! Algumas vezes eu até guardo, mas geralmente eu coloco em algum lugar e depois não sei onde estão! Eu nunca lembro onde coloco as coisas porque meu cérebro está sempre em atividade, o que dificulta minha concentração.
Tenha paciência quando eu começar uma atividade e não a concluir! Use de bondade e carinho para me lembrar de terminar a atividade começada, de guardar os objetos que utilizei, de limpar o que eu sujei. 
Embora eu já tenha idade para ter responsabilidade, eu esqueço compromissos e horário de remédios. Por favor, me ajude a lembrar, de preferência sem brigar.
Me ensine técnicas para que eu possa ter autonomia neste sentido! Nem sempre as coisas são tão simples para mim como são para você!
Tenha paciência quando eu me distraio ou quando eu não escuto você falando comigo!
Tenha paciência quando eu derrubo as coisas, trombo, faço estardalhaço! Por favor, não fale todas as vezes o quanto eu sou estabanada!
Não me xingue de desmazelada ou de relaxada quando entrar no meu quarto. O que para você é desordem e bagunça, para mim não é. Sempre que você manda eu arrumar eu arrumo, mas do jeito que eu entendo as coisas como arrumadas. Sei que é bem diferente do seu jeito, mas é como eu consigo fazer.
Por favor, tenha paciência quando eu perco objetos, quando eu balanço as pernas sem parar, quando eu rio em horas inadequadas! Eu geralmente não tenho controle destas coisas!
Quando eu fico nervosa, irritada, falo coisas que não sinto. Me perdoe quando eu falo coisas que te deixam triste. Eu sempre me arrependo depois, porque falo num impulso. 
Eu não peço que você me deixe sem regras, sem disciplina. Só peço que tenha paciência comigo e que me ajude a encontrar uma forma de diminuir os transtornos que essa minha diferença causa a mim mesma e a todos que me cercam, porque eu também me sinto frustrada por não saber onde estão as coisas e por não conseguir me controlar quando estou irritada.

Depois, dando uma olhada no google, encontrei esta publicação:  Cantinho Bipolar
Caso você que esteja lendo tenha uma filha com essas características, vive brigando e não entende porque ela faz coisas que você não compreende, que estão fora do padrão de comportamento para a idade, que causem transtornos na convivência familiar, sugiro que leia estes artigos e que busque informações, pois o TDA em meninas é bem difícil de ser identificado devido à ausência da hiperatividade na maior parte dos casos.
Tenha todos uma excelente e abençoada semana!
Cláudia


sexta-feira, 25 de maio de 2012

Dia Nacional da Adoção (BC)



Hoje é o Dia Nacional da Adoção e há 4 anos eu não consigo postar nada nesse dia porque também é aniversário da minha querida e amada filha Taís, mas foi proposta uma blogagem coletiva pela Dani Pivatelli do blog Versos e eu não queria ficar de fora!

Estava aqui pensando sobre o que escrever. Pensei na questão da burocracia, das preferências, do processo de habilitação, o qual estou em fase de renovação mas nada me veio à mente! Queria um texto inteligente, que fosse 'direto ao ponto' sobre as questões e dificuldades que envolvem a adoção, mas não deu.
E não deu porque hoje eu estou pensando com o coração e não tem como escrever algo inteligente com o coração! Simplesmente não tem!
Esta é uma data que mexe muito mais comigo do que o Dia das Mães, sabe?
Para mim dia das mães é todo dia e é uma data de apelo comercial. Houve um tempo que meus filhos ficavam desesperados se não pudessem comprar nada para mim, mas eu realmente não ligo. Ficava era com raiva de vê-los aflitos por desejarem me dar coisas materiais que nós não tínhamos condições de comprar. Hoje eles sabem que dou valor a outras coisas. Claro que presentes são bons, e claro que gosto de ganhá-los, mas para mim não tem melhor presente do que ter meus filhos comigo ao meu lado, receber abraço, beijo, sorriso e, claro, enfrentar as brigas porque elas ocorrem até no Dia das Mães. 
E o Dia da Adoção não é um dia comercial. A maioria das pessoas nem sabe de sua existência, mas para mim ele é tudo! 
Foi através da adoção que me tornei mãe, foi através da adoção que pude realizar o sonho de ter uma família como eu sempre desejei.
Adoção para mim é bênção de Deus! Adoção agiu por mim no lugar do ventre que não funcionou! Adoção para mim é felicidade, é realização, é alegria, é vontade de ser uma pessoa melhor a cada dia porque através da adoção eu ganhei pessoinhas que me fazem querer ser melhor para elas e para o mundo!
Eu sempre chorei em apresentações de festa junina, de festinha da primavera, de festinha de Páscoa. Chorava mesmo e ainda choro porque quando estou nestas festinhas de escola eu só consigo agradecer a Deus pela oportunidade de ser mãe! Cada festinha destas é um pequeno milagre em minha vida, pois ser mãe para mim é algo que eu desejei demais, que eu sonhei demais! 
Eu sou tão feliz, tão realizada, me sinto tão incrivelmente abençoada que não consigo entender...e acho triste até...como existem pessoas que sofrem por não poder ter filhos biológicos e que optam por serem infelizes, chorando a vida inteira o infortúnio da infertilidade, perguntando-se a si mesmas e questionando Deus sobre o porquê não foi dada a elas a oportunidade da maternidade.
Todos nós podemos ser pais, basta querermos! Estar impossibilitado de gerar não significa não poder maternar ou paternar! 
Eu não pude gerar e sou mãe. Ah, como eu sou mãe! E como meus filhos são perfeitos para mim!
Eles não são santos. Não...isso não!
São criança e adolescentes normais, fazem birras, brigam, aprontam, me deixam doida algumas vezes, me deixam triste algumas outras, já me magoaram (porque todas as pessoas que nos amam e a quem amamos alguma vez na vida nos magoa!), mas são perfeitos porque são muito mais do que eu sonhei. São perfeitos porque me fazem feliz. São perfeitos porque são eles, simplesmente, com seus defeitos e suas qualidades!
E é por isso que hoje eu estou mais feliz e mais emocionada do que no Dia das Mães!
De manhã, quando estava preparando a festinha da Taís na escola, vendo-a com os amiguinhos, senti uma felicidade imensa! Ver seus olhinhos brilhando, por vezes me olhando, não tem palavra que sirva para transcrever meu sentimento ali. E num momento em que ela não conseguiu se conter, veio correndo e me abraçou apertado nas pernas, me segurou, olhava para mim com a cabecinha torta e um sorriso lindo! Como, tendo um útero e ovários que só serviram para me judiar, eu poderia sentir tamanha felicidade, tamanha emoção?
Cada um dos meus filhos é a personificação do amor de Deus por mim, cada um deles é a resposta de muitas orações e lágrimas, cada um deles é a dádiva do amor que brota em mim a cada manhã.
E se pudesse fazer um pedido hoje, seria que todas as crianças pudessem ter uma família e para que todas as pessoas que estão infelizes por acreditarem que não podem ser pais, que pudessem descobrir a grandeza da mater/paterniadade através da adoção!

Desejo todas as felicidades do mundo a todas as minhas amigas e amigos que são pais através da adoção, a todos os filhos que se tornaram filhos através da adoção. 

A vocês, meus filhos, todo o meu amor!
A Deus, toda a minha gratidão!
Ao meu Biscoitinho que faz aniversário neste dia tão especial: que Papai do Céu a cubra com muita saúde e felicidades!

Para ver as outras postagens da BC e se emocionar, clique AQUI.

Cláudia

segunda-feira, 21 de maio de 2012



Bom dia pessoas queridas que ainda nos visitam!

Hoje é um dia muito especial para mim, pois fui convidada pela Eloa Iwamoto do blog Brasileira Sim Senhor para escrever um texto para este mês de Maio, que é das mães e também da adoção!
O texto que escrevi está no projeto Brasileiras que Inspiram!
Muito chique isso!

Elo querida, fiquei muito feliz com seu convite e é um prazer estar participando deste projeto nesta semana em que se comemora a Semana Nacional da Adoção!
Muito obrigada pelo espaço e, principalmente, por crer que eu possa ser uma brasileira que inspire!

Para ler o texto: "Brasileiras que Inspiram" - Convidada Maio

Grande beijo,

Cláudia

sexta-feira, 11 de maio de 2012

O que eu realmente gostaria de ganhar no Dia das Mães


Hoje é dia de blogagem coletiva da Rede Mulher e Mãe e o tema em comemoração à semana das Mães é "O que eu realmente gostaria de ganhar no Dia das Mães".

Fiquei pensando sobre isso, porque na verdade, embora eu goste muito de dar presentes e quem gosta de dar também adora ganhar presentes, eu nunca criei expectativas nessa época.
Embora goste de ganhar presentes, não sou o tipo consumista sazonal, aquele tipo de pessoa que fica enlouquecida em datas comemorativas.
Antes de meus filhos nascerem o meu único desejo todo ano no Dia das Mães era o de ser mãe!
Era só o que eu queria e embora pareça algo simples, para mim não foi. Para mim, ser mãe foi dolorido, foi sofrido, foi angustiante porque Deus não me proporcionou filhos quando eu desejei, Ele não me enviou filhos quando eu decidi que era hora, Ele não fez germinar em mim a semente biológica da maternidade, entretanto Ele fez germinar em mim desde adolescente a semente emocional da maternidade. Eu sonhava ser mãe, eu desejava ser mãe e eu sabia que um dia eu seria mãe!
Há 15 anos eu me tornei mãe, depois de 4 anos de sofrimento e espera. Foi uma bênção tão grande que naquele ano eu só agradeci por ser mãe. Eu não queria presentes materiais, eu não queria nada de consumo, afinal de contas tudo que eu queria como presente estava ali, no meu colo, com poucos meses de vida!
Meu primeiro presente de Dia das Mães: Tamiris
Neste ano eu estava plena do meu presente tão desejado e eperado. Não precisava de mais nada. Só tinha motivos para agradecer, mas os anos passaram e eu comecei a sonhar com um presente. Sim, eu comecei a desejar um presente e comecei a pedir novamente, não ao marido, mas a Deus, porque eu queria outro filho! Dois anos e meio depois do nascimento da Tamiris, em agosto de 1.999, eu ganhava meu segundo presente e meu terceiro Dia das Mães foi, novamente, de agradecimento porque os presentes que eu sonhava, Deus estava me encaminhando. Eu me sentia a mãe mais feliz do mundo!
Meu segundo presente: Tales, no colo da Tamiris
E aí eles foram crescendo e para mim não tinha presente melhor do que ir às festinhas de Dia das Mães na escola. Vê-los cantando, se apresentando sempre com os olhinhos brilhando olhando nos meus olhos, sorrindo, dando tchauzinho, mandando beijinhos, isso tudo para mim já era o maior presente. Eu não precisava ganhar nada comprado. Estes eram momentos que eu chorava e agradecia a generosidade de Deus por ter me concedido tamanho presente: o de ser mãe, mesmo sem ter germinado nenhuma das sementes em meu corpo.
Com o tempo, a vontade surgiu novamente, e novamente passei a pedir mais um presente para Deus. Embora não seja consumista, devo ser é muito abusada...rss. Não me dei por satisfeita com dois presentes e passei a desejar mais um, e sonhava com um presente em forma de uma menina morena de cabelos cacheados! Tá...eu não fazia exigências, só pedia mais um presente, se fosse possível é lógico, mas nos meus sonhos sonhados dormindo meu presente tinha forma! E eis que 10 anos e 4 meses depois do primeiro presente e 7 anos e 9 meses do segundo presente, Deus me presenteia novamente: nasce Taís!
Meu terceiro presente: Taís, com os irmãos Tamiris e Tales
Esta semana eu ganhei uma homenagem no colégio com meu terceiro presente vestida de gatinha, uma homenagem na escola de ballet e uma camiseta com os dizeres "Amo ser mãe de bailarina", desenhos e mais desenhos da nossa família. O que mais eu posso desejar como presente? Que coisa comprada me daria tanta e tamanha felicidade?
Vou confessar que estou pedindo a Deus um quarto e último presente! Estou preparando a casa e os documentos para viabilizar a chegada deste presente que eu sei, Deus já tem reservado para mim.
Eu sei que no tempo D'Ele, meu presente em forma de Letícia ou de João Vítor vai chegar, mas por agora, para este Dia das Mães, o que eu quero verdadeiramente de presente é que estes presentes que eu já tenho sigam com saúde e continuem sendo estes filhos maravilhosos de até então!
Desejo, também, eu mesma ter saúde para vê-los crescer, terminar de criá-los, vê-los se formando, casando, tendo seus próprios filhos, enchendo minha casa e minha vida de alegria com netos, muitos netos!
Desejo que estes meus presentes sejam felizes em toda a amplitude que a palavra felicidade pode comportar!

Os três presentes que eu desejei verdadeiramente ganhar!
E que eles nunca esqueçam ou tenham dúvida do quanto eu os desejei como presentes e o quanto eu os amo!


Cláudia

segunda-feira, 9 de abril de 2012

"Porque a nossa boca fala do que está cheio o nosso coração"


Bom dia pessoas lindas que ainda passam por aqui!

Sábado fomos a São Paulo assistir a palestra no centro onde frequentamos muitos anos e a palestra foi em torno desta frase de Lucas: "O homem do bom tesouro do seu coração tira o bem, e o mau do mau tesouro do seu coração tira o mal, porque a boca fala do que o coração está cheio." (Lucas 6:45)

De lá para cá venho me questionando a respeito.
Quantas coisas a gente fala nos momentos de nervosismo? Quantas coisas falamos quando estamos com raiva, com rancor e depois que passa falamos que foi 'sem querer', que foi 'coisa de momento'?
Partindo desta citação, deste ensinamento de Jesus, concluo que nada é sem querer, que nada é coisa de momento.
A consciência desta verdade pode nos fazer reavaliar o que vai verdadeiramente em nossos corações e esta consciência nos dará oportunidade de mudarmos o que vai dentro da nossa alma, do nosso coração.
Evoluir é transformar o mal em bem. Só evoluímos verdadeiramente quando aprendemos as lições e nos modificamos, nos melhoramos.

Deixo esta postagem hoje para que todos que aqui passarem possam refletir sobre o que vai nos corações de todos nós, de cada um de nós!
Nosso planeta, nosso país, todas as nações estão precisando desesperadamente que nós, seres humanos, comecemos a avaliar sobre esta questão.
Palavras e atos andam de mãos dadas, andam juntos!
Quem sabe refletindo sobre esta questão consigamos diminuir, ao menos um pouquinho, as pequenas violências do dia a dia numa resposta mal dada, nos impropérios, nas discussões vazias e assim, melhorando as microcélulas, possamos modificar tudo à nossa volta e aos poucos possamos ver melhorada, também, a macrocélula: família, comunidade, sociedade!

Neste site tem uma reflexão bem simples para as crianças:
http://www.montesiao.pro.br/estudos/crianca/celulas/ecc118.html

Tenham todos uma excelente e abençoada semana!

Cláudia

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Poema para Dia Mundial do Autismo – 2 de abril


Ame-me
Por favor,
Como eu sou...
Ame-me
Como você
Gostaria que eu fosse
Quem me concebeu...
Não imaginou
Que seria assim tão duro...
Entender que vim autista
Mas ame-me
Fale-me desse amor
Mesmo que eu não pareça entender
Mesmo que eu fuja e me refugie
Busque-me não deixe eu me perder

Ame-me
Como se visse em mim
A imagem e semelhança de ti
No espelho das águas

Não se importe
Com minha falta de compreensão
Treine-me para entender o mundo
Mas acima de tudo
Ame-me

Como se eu tudo entendesse
Como se eu não fosse um peso
Demonstre seu amor
Mesmo que eu não saiba
O significado da palavra...

Deus, eu posso sentir
E creia que em meus sonhos
Eu te vejo e te amo...
Não me negue esse amor
Que enxerga além da matéria
Pois é dele que necessito

E se nas horas que de ti eu exijo demais
Mesmo nas dúvidas constantes
Aquelas que às vezes você tem vontade de desistir
Por favor, não desista, mas ame-me.

sábado, 17 de março de 2012

Tornar-se mãe

Publicado em 15.03.2012
Por Cintia Andrade Moura*

Para muitas mulheres, a maternidade inicia-se na gestação. Para outras, na adoção.

Nutrir o desejo de ser mãe é comum na intimidade feminina. Enfrentar a impossibilidade de gerar um filho é, para muitas, frustrante e estarrecedor. 
Pensar na ideia de ser mãe pela adoção gera vários questionamentos e enfrentamentos e, por isso, infelizmente algumas mulheres simplesmente desistem do sonho da maternidade.

A maternidade proporciona na vida da mulher transformações e descobertas inimagináveis. Tornar-se mãe é muito mais que gerar um filho. Para ser mãe, é imprescindível e suficiente o amor. Disso chamamos a adoção.

Que importa se o teu filho não carregará a tua herança genética? Ele carregará as tuas lições de vida.
Que importa se o teu filho não sairá do teu ventre? Ele entrará na tua vida e na tua alma.
Que importa se não puderes amamentar o teu filho ao peito? Ele será alimentado por tuas mãos cheias de ternura e amor.
Que importa se o teu filho não terá teus traços fisionômicos? Ele possuirá os traços da tua forma de pensar e agir perante o mundo.

Abençoadamente, sou mãe adotiva e colho os melhores frutos da convivência com meus filhos. Certo dia, estava em viagem com a família e minha filha mais velha (uma negra belíssima!) entrou no ambiente em que me encontrava iniciando o seguinte diálogo:

− Mãe, uma amiga minha da escola me perguntou por que sou diferente de você?
− O que você respondeu? − perguntei sem alarde.
− Eu falei para ela que é porque sou adotada.
− E isso te incomodou? − quis saber.
− De forma alguma, mãe! Eu tenho o maior orgulho de ser adotada, de ser sua filha e de papai, e de ser negra.
Emocionada, falei para ela que de todas as coisas lindas que eu já havia escutado na vida, essa era a mais bela de todas. E ela completou:
− É o seu presente de aniversário, mamãe!

Abracei tanto a minha filha que quase a sufoquei. E chorei... Chorei e ainda choro por tantas emoções e felicidade que a maternidade adotiva me proporciona. Agradeço a Deus pela oportunidade de ser mãe de uma forma tão completa e intensa. De ser uma mãe que nasceu pela atitude adotiva.

Desistir de amar é desistir de viver. 

Desistir da experiência extraordinária de ser mãe porque não se pode gestar é que é frustrante e estarrecedor.

* Cintia Andrade Moura é uma orgulhosa e feliz mãe adotiva
ne10.uol.com.br

quinta-feira, 8 de março de 2012

Flor de Lótus

Estávamos fazendo evangelho domingo e no momento em que orávamos pela Letícia tive uma visão de uma imagem como esta:

Por intuição achei que era Flor de Lótus e pesquisando no google encontrei vários exemplares lindos, mas esta é a que mais se assemelha!
A Flor de Lótus é uma planta que nasce em águas paradas, em meio ao lodo, tem raízes profundas, é cercada de enormes folhas verdes. Fica apenas a lindíssima flor aparente, limpa, sem resquícios do lodo onde nasceu.
Tenho uma vaga ideia do que essa simbologia significa e sigo confiando que nossa menina chegará em tempo e hora preparados por Deus.
Sinto que ela está cada vez mais próxima e estamos nos preparando tanto no espaço físico da casa como nos nossos corações para que ela receba o melhor de cada um de nós, sua família.

Se desejar ler a lenda da Flor de Lótus, clique AQUI
Tanto a lenda quanto o blog valem muito á pena! Embora esteja desatualizado, tem textos muito interessantes.

Beijos,

Cláudia

quinta-feira, 1 de março de 2012

Carta de Suzana Sofia Moeller Schettini, presidente do GEAA Recife à imprensa


Prezados Senhores,
A associação entre adoção e delinquência lançada subliminarmente à sociedade nas entrelinhas das reportagens que se referem ao assassinato do
casal de Olinda, causa incômodo e tristeza  a muitos pais e filhos adotivos, pois reforça preconceitos já existentes no imaginário social.
A adoção é apenas um fato histórico na biografia do assassino, não é o que determina as suas ações. Entretanto, tem sido o primeiro quesito a ser relacionado ao seu perfil.
Filhos são filhos tão somente. Não importa se adotivos ou biológicos.
Na verdade, crianças se tornam filhos apenas se forem afetivamente adotadas pelos seus pais.
Aconteceram vários outros casos de tragédias humanas no passado, promovidas por filhos biológicos, e não se verificou nenhuma referência à sua origem biológica. Por que quando o criminoso é adotivo a questão de sua origem ganha tanta relevância?
No Brasil existem milhares de famílias adotivas felizes, cujos filhos foram muito desejados, são amados e criados com muito carinho e desvelo.
Há mais de 20 anos temos em curso o Movimento Nacional Pró Adoção, promovido por entidades chamadas Grupos de Estudo e Apoio à Adoção (os GAAs) - são mais de 100 distribuídos em todos os Estados brasileiros - que são afiliados à Associação Nacional dos Grupos de Apoio à Adoção (ANGAAD).
O Movimento Nacional trabalha por uma nova cultura de adoção, livre de preconceitos e discriminações e pelo direito de toda a criança a ter uma família. Os esforços conjuntos convergem para uma mudança de paradigma na adoção: ao invés de procurarem-se crianças para famílias que não
podem tê-las, procurarem-se famílias para crianças que já existem.
Temos  cerca de 40.000 crianças institucionalizadas que precisam de uma família e não a conseguem por encontrarem-se fora do perfil desejado pela maioria dos pretendentes à adoção: não são bebês, nem brancos, nem meninas, nem saudáveis.
Como disse Einstein, "é mais fácil quebrar um átomo do que um preconceito".
A associação nociva entre adoção e delinquência, certamente deixará os seus efeitos nefastos na memória social. 
O fantasma do medo assombrará o imaginário dos pretendentes à adoção e os filhos adotivos, por muito tempo, serão apontados com desconfiança e temor! Entretanto, serão as crianças institucionalizadas que pagarão o ônus maior, pois este cenário apenas contribui para postergar mais e mais as suasoportunidades de nova inserção familiar.
Em nome de todos os pais e filhos adotivos brasileiros, pedimos encarecidamente a sua consideração a respeito do exposto.
Antecipadamente agradecemos.
Atenciosamente,
Suzana Sofia Moeller Schettini
Presidente do Grupo de Estudo e Apoio à Adoção no Recife
Mãe adotiva

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

E de novo o 'filho adotivo' mata os pais! Com um texto de Luiz Schettini

Infelizmente outro caso de filho que mata pais e infelizmente todas as manchetes dão conta de que 'filho adotivo' mata, como que insinuando novamente que NESTE caso a filiação, o fato de ter sido adotado é a causa do crime!
Ele era usuário de drogas, morava sozinho desde os 16 anos no exterior, envolveu-se com más companhias, estava todo encrencado com leis e TEVE que voltar. Cometeu o crime sendo adotado e teria cometido se fosse biológico porque o fato não ocorreu devido á adoção, mas sim devido ao consumo de drogas, à dependência química. Quantas desgraças familiares estão ocorrendo por conta do maldito crack? 
Estatisticamente falando a maioria dos que matam são filhos biológicos, então se é para ter medo dos filhos, parem todos de procriar, não tenham mais filhos de jeito nenhum porque filhos biológicos TAMBÉM MATAM PAIS. E aí relembro: Suzane Richttoffen, Gil Rugai como filhos e Alexandre Nardoni como pai, todos biológicos, que mataram o 'sangue do seu sangue".
Esse tipo de veiculação lança tanto medo da origem dos filhos adotivos, mas quem pode garantir que nos genes biológicos também não possa haver algo ruim que predisponha a doenças mentais, a distúrbios? Só tem 'gene ruim' quem foi adotado? Ah, vá!
Deixo o texto do psicólogo Luiz Schettini a respeito desta abordagem feita pela imprensa sobre o caso do Bispo e sua esposa, mortos pelo filho!
A PROPÓSITO DE PAIS E FILHOS 
            Seres vivos se agridem. Os humanos não fogem à regra. O que é inaceitável é o peso injusto que se atribui quando essas agressões penalizam pessoas pelo seu grau de parentesco; como se agredir alguém com quem não se comunga qualquer parentalidade fosse um ato de menor importância.
            Estas considerações vêm a propósito de notícia veiculada pela mídia, dando conta de que um filho, em uma ação execrável, agride pai e mãe até a morte e, em seguida, tenta a própria morte. Todos reprovamos e ficamos constrangidos com tal ação destruidora, ainda mais quando oriunda de uma relação de parentesco de tanta profundidade quanto a que liga pais e filho.
            O que causa estranheza e, diria, estarrecimento, é se especificar e acentuar que o autor da ação reprovável é “filho adotivo”. Por que insinuar que o crime cometido o foi por um filho “adotivo”? Porventura tendo alguém se tornado filho por adoção trará em si o germe do distúrbio de comportamento que possa gerar ação tão hedionda? Nunca se viu na mídia qualquer referência com tal ênfase indicando: “Filho biológico mata pai e mãe”. Por que agregar à adoção como forma legítima jurídica e afetiva de parentalidade, a informação insidiosa de que haveria uma íntima relação entre adoção e distúrbio de comportamento, o que, psicologicamente não é verdadeiro?
            Estabelecer tal relação é tentar instalar interrogações, desestímulo  e até medo naqueles que vivem em paz com seus filhos, como também àqueles que buscam dar uma família aos que a sociedade lhes negou tal direito.
             Não é a primeira vez que tomamos conhecimento dessa posição profundamente desumana da mídia, jogando sobre os filhos por adoção responsabilidade pelo simples fato de chegarem às suas famílias pelo instituto da adoção. E mais. É obvio que todos os filhos, sem exceção, são biológicos, ao mesmo tempo em que só poderão vivenciar a real filiação se com eles forem construídos vínculos afetivos com os que os incorporaram como filhos por adoção.
            Em nome de um sensacionalismo informativo, há os que – talvez sem o perceber – são cruéis e pedagogicamente incorretos, martirizando os que estão curando as dores da rejeição ou preenchendo as lacunas da infertilidade. Presta-se um desserviço à humanidade quando se tenta juntar dois elementos que não se podem unir: adoção e deformação do comportamento. Alguém já observou que dos seres vivos que conhecemos somente os humanos têm a “capacidade” de serem desumanos. E, lamentavelmente, alguns o são.
            Lidando há quarenta e um anos, como psicólogo, com pais e filhos adotivos, compulsando a literatura dos países que pesquisam sobre o tema, nunca encontrei qualquer fonte científica que afirmasse que ações agressivas entre seres humanos fosse uma marca naqueles que se tornaram filhos por adoção.
            Chamo aqui à responsabilidade aqueles que permitem a publicação de inverdades que resultam em crime social com prejuízos de extensão incomensurável para crianças que poderão perder, pela segunda vez, a oportunidade de convivência familiar.
Luiz Schettini Filho
Psicólogo
Pai adotivo